O velho pai
"Quase Memória" do Cony é o livro que todo filho adoraria ter escrito para o pai. Uma homenagem póstuma que mistura ficção com realidade. Sem ter o mesmo talento, me peguei hoje lembrando dessa relação tão importante. Eu e meu pai sempre tivemos visões diferentes do mundo e temos até hoje, mas uma coisa sempre nos uniu: a paixão pelo Corinthians. Por mais rebelde que eu fosse, não escolhi o caminho fácil de mostrar rebeldia, virando a casaca. E seria fácil a justificativa, afinal o Corinthians não ganhava nada naquela época e só com 10 anos pude soltar o grito de campeão. Lembro que o pai tinha orgulho de me apresentar para os amigos e logo dizia que eu sabia tudo sobre o Corinthians: escalação, classificação, artilheiro e eu tentava justificar a fama, que confesso não sei se era tão verdadeira assim. O pai jogou na várzea, dizia ter sido um ótimo goleiro do time do Guaiúna e eu sempre achei as histórias exageradas. Mas não é que um dia, o velho (nem era tão velho assim) foi jogar bola comigo e com alguns amigos e fechou o gol. Quer dizer: fechou o gol até tentar fazer uma ponte. A ponte saiu, mas a queda pôs fim ao jogo e deve ter trazido alguns problemas pra coluna do Miltão. O velho sempre contou boas histórias, como todo bom pai aliás, e é divertido ver ele hoje fazendo isso com meus filhos. O problema é quando ele deixa de ser o protagonista e me escala, lembrando sempre de situações nada agradáveis. Mas o velho pai tem crédito, afinal me aguentou muitos anos, inclusive com direito a horas extras, nessas voltas que a vida dá. Obrigado, Miltão.
Escrito por tieppo às 07h37 PM
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