Blog de marcelo.tieppo
   Amigos, amigos

Giba e Condé. Dois amigos de épocas distintas, que se foram recentemente, vítimas da mesma doença. Eu nem sabia que os dois estavam com câncer e se soubesse teria procurado falar mais com eles, encontrá-los, etc e tal.

A vida prega essas peças e é por isso que o post de hoje vai falar mais de esperança e de agradecimento. Quando eu decidi falar abertamente sobre a doença sabia que não seria muito fácil. Isso porque quem me conhece há mais tempo sabe que eu não sou muito de me expor. Mas posso garantir que apesar dos percalços e de assustar algumas pessoas queridas, o saldo foi extremamente positivo.

 No final do ano passado, um pouco depois de iniciar a quimioterapia, que tirando uma bolha e outra no pé, vai indo muito bem, obrigado, recebi o telefonema de um velho amigo de faculdade, o Malu. Ele e o Nilson, outro amigo daquela época, queriam saber se podiam me visitar. Não só podem como devem, pensei comigo. E eles atravessaram a cidade, em uma daquelas sextas-feiras paulistanas, com água transbordando pra todo lado. Um veio de São Caetano, outro de Alphaville. Chegaram sãos e salvos, um pouco mais tarde do que previam, e demos muita risada das boas lembranças que nos unem até hoje, apesar da distância.

Na hora da despedida eu falei pros dois que queria muito revê-los pra mostrar que estou bem. Aliás, nunca estive tão bem, fisicamente falando e também de cabeça, o que é sempre importante. Sei que se eu recebesse a notícia de que alguém próximo estava com câncer, antes de eu ter a doença diagnosticada, também pensaria no pior, mas você só vai procurar saber detalhes da doença e entender os diferentes estágios se isso acontece com você mesmo ou com alguém querido.

Como nem tudo são flores também já vivi o outro lado. Recentemente, em uma das festas de fim de ano da Aceesp, que eu frequento desde que Luisa e Gabriel eram pequenos, um colega que não me via há muito tempo me saudou: "Tieppo, tinham dito que vc tava fudido, com câncer. Que brincadeira mais sem graça o cara fez comigo...". Entre assustado e perplexo fui salvo pelo amigo João Henrique e nem sei bem ao certo o que ele respondeu, mas será que todo mundo associa alguém com câncer ao estágio terminal da doença??

Nesses dois anos e três meses de luta já disseram que eu ia morrer, já tentaram me matar de outras formas, mas, como diria o Velho Lobo Zagallo, esses poucos ainda vão ter que me engolir durante um bom tempo.

Só que o post, como eu escrevi no início, é pra falar de agradecimento e de esperança. Não sabemos o dia de amanhã, mas eu sei que hoje eu sou muito feliz por poder ter ao meu lado mulher, filhos, família e amigos, muitos amigos queridos, que estão sempre por perto e não deixam a peteca cair.

Desculpe não poder citar um por um, porque com certeza eu esqueceria de alguém, mas vocês sabem o quanto estão me ajudando.

É isso. Podemos morrer atropelados na calçada por um maluco bêbado, podemos morrer atingidos por um raio na praia e podemos até morrer de câncer. Até lá o jeito é viver da melhor maneira possível, amando, sofrendo, acertando, errando, mas sempre com a consciência tranquila.

Feliz Ano Novo! 



Escrito por tieppo às 11h33 AM
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   Mudando de fase

 

"Cause I need more time, yes I need more time, just make things right.."

Tenho escutado "Don´t Go Away" do Oasis. E na onda do Don´t ainda rola "Boys Don´t Cry", do Cure e "Don´t Stop me Now", do Queen. Ainda não cheguei em "Don´t Let me Down", dos Beatles, embora adore essa música, mas vou mudar de fase, como se minha vida fosse um videogame.

É hora de usar outras armas na guerra. A luta continua e para combater o mau humor dos tumores chegou a hora de usar uma quimioterapia oral. No início de dezembro, com ou sem aprovação de convênio, uma nova batalha já tem data pra começar.

 O tumor que parecia bonzinho só tem cara de bonzinho pra usar a definição de quem agora se junta aos médicos que cuidam de mim: Paulo Hoff.  Paulo, Rodrigo, Carneiro, Marcos, José Rodrigues. Estou em boas mãos e o desânimo temporário já já vai embora.

Com a família e os amigos que eu tenho tudo fica mais fácil. As férias estão chegando. Vem aí uma quase nova lua-de-mel.

That´s all folks!

 

 

 



Escrito por tieppo às 02h29 PM
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   Sócrates, o craque

Sócrates voltou às manchetes por estar travando uma luta contra o alcoolismo. O eterno craque do Corinthians e da Seleção Brasileira vai vencendo mais uma batalha e entre coberturas mais ou menos sensacionalistas o que não pode ser esquecido é o tamanho da bola que ele jogou.

Sim ele foi importante na luta pela redemocratização do Brasil. A Democracia Corinthiana fez história e foi e ainda é alvo de teses acadêmicas dentro e fora do país. Mas o movimento não daria certo se dentro de campo os resultados não aparecessem.

Há os que sempre vão se ater apenas às estatísticas e talvez desprezem os três Paulistas que Sócrates ganhou pelo Corinthians ou o fato de ele não ter vencido nenhuma Copa. Contra esses não vale a pena perder tempo, porque não sabem o quanto era difícil ganhar um Brasileiro naquela época. Os craques não deixavam o país tão facilmente e o próprio Sócrates só foi para a Itália com 30 anos. Sobre a Copa, o time de 82 é reverenciado até hoje, mesmo sem ter vencido.

Toda criança tem um ídolo. E o jornalismo esportivo te dá às vezes a oportunidade de conviver com ele futuramente. Quando eu comecei Sócrates já havia se aposentado, mas sempre que aparecia um gancho eu ligava para o ídolo em busca de alguma boa repercussão. Foi assim na FT, no NP, na Gazeta Esportiva, no SportsJá!, etc e tal.

Uma vez gravamos um piloto que nunca saiu do papel. O cenário idealizado era em um bar e eu reuni o Sócrates, o Wladimir, o Juca Kfouri e o Mauricio Noriega. Se nunca foi ao ar, pelo menos valeu pelo bom bate-papo com todos os envolvidos.

Em 2008,  o editor-chefe do Esporte Espetacular, Sidney Garambone, me incubiu de fazer uma entrevista com o Sócrates, em Ribeirão Preto. Adorei a sugestão e logo achei um gancho: ele havia sido contratado pelo Corinthians 30 anos atrás.

A longa entrevista foi ao ar com mais de 11 minutos de duração se não me engano. E o que mais me impressionou naquele dia foi a sincera simplicidade do Magrão. Quem ouve ele dizer que começou a usar o calcanhar pra evitar o confronto com zagueiros como Luis Pereira fica com a impressão de que era uma solução fácil de fazer. Era pra ele, craque dentro e fora de campo.

Ah na entrevista ele também falava de um documentário "Sócrates Brasileiro" que nunca saiu do papel. Quem sabe quando ele sair do hospital novamente a coisa enfim vá pra frente.

Aqui estão os links da entrevista citada - http://www.youtube.com/watch?v=KySh9KJciT4 (parte 1) e http://www.youtube.com/watch?v=f5_a48HH1Sg (parte 2).



Escrito por tieppo às 12h10 PM
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   A primeira vitória

Em uma conversa com o Dr. Marcos, antes de fazer a primeira ablação, ele me disse que havia uma coisa em comum entre os pacientes dele que descobriam o câncer: eles começavam a se questionar se eles estavam vivendo a vida da forma como ela merecia ser vivida.

Esse questionamento é normal até quando você não tem nenhuma doença, mas de fato esse sentimento fica exacerbado nessa situação. Comigo não foi diferente. E como eu já escrevi em um dos posts anteriores, a solidariedade aumenta nessa hora, mas os problemas internos e externos continuam ali e nem todo mundo vai te receber com beijos e abraços.

Eu tinha começado a fazer terapia no início de 2010, também por causa da doença, mas não só por isso. E durante as sessões você descobre o que parece óbvio, mas nem sempre é: as pessoas só fazem com você o que você permite que elas façam.

Era preciso driblar a fragilidade emocional e dar um basta. Era uma questão de sobrevivência e no final você descobre aliviado que ninguém perde o que nunca teve de fato. Como se fosse um milagre, a primeira vitória chegou em novembro de 2010: não apareceu nada nos exames de controle da doença.

Depois da terceira cirurgia, eu comecei a praticar esportes. Os jogos de tênis, as corridas e as caminhadas começaram a fazer parte da minha rotina, assim como uma alimentação mais balanceada. Eu estava fazendo a minha parte e agora com mais força pra encarar o que viesse pela frente.

2011 chegou e o próximo exame estava marcado para maio. Assunto para o próximo post.



Escrito por tieppo às 11h43 AM
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   Ablação

E foi feita a ablação. Tumor queimado, cirurgia menos invasiva, volta pra casa no dia seguinte e a recomendação de tomar analgésicos, em caso de dor. Tive que usar os analgésicos, porque uma pequena e constante dor abdominal teimou em persistir mais do que deveria.

Mas a dor sumiu, o tumor foi exterminado e a vida seguiu normalmente até o próximo exame de controle, marcado para julho de 2010. Novas tomografias e um pequeno tumor apareceu novamente no fígado. Pesquisando nos exames anteriores o sempre atento e minucioso Dr. Rodrigo constatou que o tumor, quase imperceptível de tão pequeno já estava alojado no fígado, mas achou um esconderijo tão bom que nem o exame que mapeou o corpo inteiro tinha encontrado o danado.

Qual era a diferença de saber se o tumor já estava lá ou se tinha surgido um novo? Fazia sim muita diferença. Se tivesse surgido um novo em tão pouco tempo, provavelmente o tumor teria se tornado mais agressivo. Não era o caso, felizmente, porque o Dr. Carneiro também constatou nos exames que o Dr. Rodrigo estava certo.

Dessa vez pela localização era possível fazer o que eles chamam de cirurgia por vídeo, que também era menos invasiva do que uma cirurgia normal. E o que é melhor, ao contrário da ablação, o convênio dessa vez aprovou a cirurgia rapidamente, depois de eu fazer os exames de rotina, que mostraram que eu estava pronto pra mais uma batalha.

Batalha vencida, volta pra casa e uma certeza: algumas coisas precisavam mudar imediatamente. Assunto para o próximo post.



Escrito por tieppo às 11h29 AM
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   Culpado ou inocente?

Depois da primeira cirurgia, faltava a biópsia que deveria confirmar o tumor carcinóide. De fato, ela confirmou, mas com uma novidade: saiu de campo o típico e entrou o atípico. Resumindo: com a mudança a chance de o tumor voltar é bem maior do que se fosse o típico. Como não adiantava sofrer por antecipação, eu tive um ótimo fim de ano em 2009, com muito otimismo e uma viagem muito bacana para Nazaré Paulista, acompanhado da Érica e de todos os filhos.

Três meses depois, eu fiz o primeiro exame de controle e, a pedido do oncologista José Rodrigues, fiz uma tomografia abdominal, além da tomografia do tórax. Veio o resultado e com ele a segunda batalha: um tumor do mesmo tipo havia chegado no fígado.

Dr. Rodrigo, o médico que me operou do pulmão me encaminhou para o Dr. Carneiro, provavelmente o maior especialista em fígado do Brasil e ainda por cima corinthiano. A boa notícia: ele não ia fazer uma cirurgia tradicional, o que me deixaria fora de combate por alguns meses. A ideia era fazer uma ablação, guiada por tomografia. Nela, uma agulha queima o tumor, o que torna o procedimento muito menos invasivo, com uma recuperação rápida e sem perder qualidade de vida.

Na teoria, era perfeito e eu também passei por uma consulta com o Dr. Marcos, o médico que faria o procedimento. Outro excelente profissional que falou que valia a pena brigar com o convênio pra fazer a ablação.

Sim, tinha um convênio no meio do caminho. Pra encurtar a história: o convênio, depois de sugerir outros hospitais que não tinham condição de fazer o procedimento, disse que a ablação poderia ser feita no Sírio Libanês, mas sem direito a internação.

A briga durou dois meses e contou com a ajuda da empresa da minha mulher, que resolveu a parada. Talvez por isso esse intervalo entre a primeira e a segunda cirurgia tenha sido muito complicado. Você fica muito ansioso, quer resolver logo a situação e sente-se impotente.

Sem contar que parece que o mundo só fala de câncer. No caderno Cotidiano, da Folha, era uma notícia atrás da outra. Muito provavelmente, eu nunca tinha reparado antes, mas agora... Pra piorar, dei de cara com um documentário sobre a Farrah Fawcett, a ex-pantera que morreu de câncer.

Mas nada é pior do que os falsos especialistas de plantão. Não falo aqui dos amigos verdadeiros e dos familiares que se preocupam de verdade e que às vezes por desconhecerem detalhes da doença acham que a culpa é do cigarro ou da bebida.

Só que os falsos especialistas parecem sentir prazer em ver você se sentir culpado. Ficam perguntando se você não tem bebido muito ou se parou mesmo de fumar. E nem adianta você tentar explicar que o médico disse que não há relação com o cigarro e com a bebida. A ideia deles é jogar a culpa pra você. Será que eles fazem o mesmo com quem tem câncer de próstata? Fico imaginando a pergunta: você não tem usado muito o dito cujo?

Em tempo: sim o cigarro causa câncer, que geralmente é descoberto quando já está em estado avançado e há pouco o que se fazer. Felizmente, não é o meu caso. Não deu tempo de falar de como foi a ablação. Fica pra próxima.

 



Escrito por tieppo às 09h39 AM
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   Fim ou recomeço?

Depois de algumas pneumonias com intervalos reduzidos e uma internação de uma semana para tentar descobrir o real motivo, o veredicto chegou.

O jovem médico pneumologista José Rodrigues Filho avisou que o tumor que havia aparecido no pulmão era maligno. Mas logo tratou de dizer que o danado tinha o nome de carcinóide, que não havia relação com o cigarro e que era preciso tirar logo, mas que depois dificilmente ele voltaria. Ufa!

Logo depois entrou na sala outro médico, o cirurgião Dr. Rodrigo. A empatia foi imediata e ele praticamente repetiu as palavras do colega de trabalho. Corri pra realizar todos os exames e operar o mais rápido possível.

Eu tentei manter a fama de durão, mas um diagnóstico desse sempre mexe com a cabeça da gente. Era inevitável pensar em pessoas queridas que se foram por causa do câncer. A palavra já é assustadora, muita gente não gosta de usar e além disso antes de ter um você não sabe que existem vários tipos, vários estágios, etc e tal.

No fim de outubro de 2009, a operação foi realizada com sucesso, mas como foi dolorida a recuperação. O que aliviou a dor foi o carinho dos familiares e dos amigos. Não tenho palavras para descrever o quanto isso ajudou e ainda ajuda.

Mas não se iluda nem todos são solidários nesse momento. Lembra da frase do Otto Lara Resende, aquela de que o mineiro é solidário só no câncer? Pois é, algumas pessoas esquecem da solidariedade até nessa hora e tiram proveito da sua fragilidade emocional.

E como você fica frágil. Para não preocupar as pessoas queridas e que estão sempre na torcida, nada como fingir que tudo está bem e demonstrar otimismo. Mas não foram poucas as vezes em que eu ia chorando da casa para o trabalho com medo que meu tempo estivesse se esgotando.

Felizmente, ele não se esgotou. A primeira batalha foi vencida com louvor, mas outras batalhas ainda seriam vencidas. A luta continua e pra mim é uma vitória superar o bloqueio de falar sobre esse assunto. Quero diminuir o preconceito e ajudar a acabar com algumas dúvidas.

Até o próximo capitulo!



Escrito por tieppo às 08h55 PM
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   A festa na hora do gol

 

No futebol atual nada é mais irritante do que os jogadores que não comemoram gols contra seus ex-clubes. Vejam o caso de Douglas. O sujeito mete um golaço e ao invés de correr e se esbaldar, levanta os braços e avisa que não vai festejar.

O ex-corinthiano, que já foi São Caetano, e hoje joga no Grêmio, vai passar por quantos clubes ainda? Nem ele sabe, mas se seguir a lógica daqui a pouco ele vai ter que conferir uma lista pra saber se pode ou não pode ir pra galera.

Quem já jogou pelada sabe o quanto é bom comemorar um gol. Desrespeito é não comemorar. Neto era corinthiano, mas fez aquele golaço de bicicleta pelo Guarani, na final do Paulista de 88, e saiu ensandecido, gritando "Eu sou f...".

Nessas horas bate saudade do canastrismo bem humorado de Viola. O sujeito imitou Porco, Gavião, foi ídolo de torcidas rivais e não consta que tenha sido acusado de desrespeito. Chega de politicamente correto no futebol. De chatice já chegam as retrancas exageradas.

E pra não dizer que não falei de Neymar. O garoto parece que não se recuperou da proposta milionária do Chelsea. Mas se escolheu ficar está na hora de se conformar e mostrar tudo o que sabe. Menos, garoto.

 

 



Escrito por tieppo às 03h21 PM
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   Paul

Ele fez 68 anos recentemente, no dia 18 de junho. Sir Paul Mcartney continua na ativa e vai bem obrigado a não ser que você faça parte do time que acredita que ele morreu em um acidente de carro em 1966 e foi substituído por outro. Só que essa é uma outra história.

Eu sempre gostei mais do John, mas o bom velhinho Paul mostra que é possível sobreviver com dignidade e fazendo rock dos bons, mesmo beirando os 70 anos.

Recentemente, o meu filho Gabriel disse que o professor de física dele iria fazer um show. A família Tieppo marcou presença em peso e não é que o cara toca bem? Dinho Santana é o nome do vocalista da banda cover do Paul  McCartney e ele ganhou mais alguns fãs.

Durante a apresentação, Felipinho passou o tempo todo pedindo pra banda tocar "Help", a música preferida dele, sem saber que como a música era do John não iria entrar no show do Paul e eu bem que tentei explicar isso pra ele.

O show terminou, a música não tocou, Felipinho ficou frustrado, mas quando fomos parabenizar o vocalista pela apresentação, ele ficou comovido com a história, pegou o violão e tocou Help com exclusividade para o meu filho querido.

Uma bela história com final feliz.

 



Escrito por tieppo às 04h55 PM
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   O velho pai

"Quase Memória" do Cony é o livro que todo filho adoraria ter escrito para o pai. Uma homenagem póstuma que mistura ficção com realidade. Sem ter o mesmo talento, me peguei hoje lembrando dessa relação tão importante.

Eu e meu pai sempre tivemos visões diferentes do mundo e temos até hoje, mas uma coisa sempre nos uniu: a paixão pelo Corinthians.

Por mais rebelde que eu fosse, não escolhi o caminho fácil de mostrar rebeldia, virando a casaca. E seria fácil a justificativa, afinal o Corinthians não ganhava nada naquela época e só com 10 anos pude soltar o grito de campeão.

Lembro que o pai tinha orgulho de me apresentar para os amigos e logo dizia que eu sabia tudo sobre o Corinthians: escalação, classificação, artilheiro e eu tentava justificar a fama, que confesso não sei se era tão verdadeira assim.

O pai jogou na várzea, dizia ter sido um ótimo goleiro do time do Guaiúna e eu sempre achei as histórias exageradas.  Mas não é que um dia, o velho (nem era tão velho assim) foi jogar bola comigo e com alguns amigos e fechou o gol. Quer dizer:  fechou o gol até tentar fazer uma ponte. A ponte saiu, mas a queda pôs fim ao jogo e deve ter trazido alguns problemas pra coluna do Miltão.

O velho sempre contou boas histórias, como todo bom pai aliás, e é divertido ver ele hoje fazendo isso com meus filhos. O problema é quando ele deixa de ser o protagonista e me escala, lembrando sempre de situações nada agradáveis.

Mas o velho pai tem crédito, afinal me aguentou muitos anos, inclusive com direito a horas extras, nessas voltas que a vida dá.

Obrigado, Miltão.

 



Escrito por tieppo às 07h37 PM
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   E o disco tocou

Era um garoto que ainda não gostava de Beatles e de Rolling Stones, pelo menos não como gostaria alguns anos mais tarde, e que gostava mesmo era de fazer gols pelas ruas do Brás e de sofrer ao ouvir o Corinthians pelo rádio de pilha.

Época de jejum e de promessas. O compacto ganho tinha de um lado o hino do Corinthians e de outro uma marchinha gravada por Silvio Santos, que tinha um trecho assim: "quem é que não vê que o Corinthians nasceu com o destino de ser campeão, reparem que quando ele perde é porque francamente o juiz foi ladrão. É minha opinião".

O fato é que o garoto prometeu tocar o hino só no dia em que o alvinegro levantasse uma taça. A vitrola foi ajeitada em 74, 76 e no segundo jogo da final de 77, mas nada de a agulha desencantar e o grito e o hino ficavam engasgados mais uma vez.

Naquele dia 13 de outubro de 77, o garoto limpou o compacto com capricho, comprou uma agulha nova, escutou a marchinha de Silvio Santos para se inspirar e deixou tudo pronto para finalmente ouvir o hino corintiano no último volume.

Depois do gol de Basílio, os minutos finais pareciam uma eternidade, mas como não há mal que dure pra sempre,  o hino tocou 23 vezes assim que Dulcidio Wanderlei Boschilla apitou o fim do jogo. 

No dia seguinte, ironia do destino, o garoto participou de uma competição de escolas no programa Silvio Santos.  A tal marchinha não tocou nos intervalos, mas o hino corinitiano ecoou naquele estúdio da então TV Tupi mais 23 vezes.

Em tempo: o compacto tocou tanto nos anos seguintes que não suportou tamanha emoção e foi substituído alguns anos depois.

 

 

 



Escrito por tieppo às 12h36 AM
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   Gabriel, um corinthiano

Domingão, Dia das Mães, Gabriel quer ver a volta do Corinthians à elite do Brasileiro. O adversário é o poderoso Internacional. O pai tenta argumentar: "Filho, o Ronaldo não vai jogar, o Mano vai poupar mais gente. Não é melhor deixar pra outro dia?". A resposta é imediata: "Pai, eu não torço pro Ronaldo, eu torço pro Corinthians".

Sem mais argumentos, o pai carregou o filho pro estádio e juntos viram um time ainda mais desfalcado do que o imaginado perder por 1 a 0 para o Inter, que venceu, é verdade, mas decepcionou por tudo aquilo que pode render. Tirando é claro o gol antológico de Nilmar.

Dá pra entender os argumentos de Mano Meneses. Ok, a prioridade agora é a Copa do Brasil, mas houve um exagero na dose. Se Dentinho, Douglas e Alessandro estavam no banco é porque tinham condições de jogar. Dentinho e Alessandro, aliás, entraram no segundo tempo e quase mudaram a história do jogo.

Não era apenas um jogo do Brasileirão, era a volta do gigante adormecido ao lugar de onde não deveria ter saído, mas saiu pela incompetência e pelos desmandos dos cartolas.

O coringão voltou, como canta a  torcida, mas no Brasileirão ainda não.

 



Escrito por tieppo às 05h09 PM
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   Craque globalizado

Ronaldo já havia insinuado o que seria capaz de fazer ainda no Cruzeiro, aos 17 anos. A facilidade para marcar gols e os dentões já estavam lá, só o corpo ainda era franzino, bem diferente de agora.

O problema é que Ronaldo foi embora muito, muito cedo. A média impressionante de gols continuou no PSV, da Holanda, depois no Barcelona, no Real, na Inter, na Seleção. E lá fora o nosso craque globalizado ganhou o apelido de Fenômeno.

A gente se acostumou a ver o atacante pela TV, os golaços, as arrancadas, as graves contusões, as voltas por cima, o pentacampeonato. Ele sempre foi real, mas estava longe e só dava o ar da graça por aqui em amistosos ou eliminatórias.

Ter o Fenômeno por perto causou um alvoroço, antes mesmo da estréia. E agora oito gols depois, dois antológicos na primeira partida da decisão do Campeonato Paulista, é como se a gente se beliscasse e pensasse: caraca ele é real.

Ronaldo faz até os rivais tirarem o chapéu, basta ler o que o santista José Roberto Torero escreveu na Folha dessa semana. Palmeirenses e, principalmente, são paulinos, já tinham sido vítimas também do Fenômeno. A Seleção parece ser só uma questão de tempo.



Escrito por tieppo às 05h07 PM
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   Ronaldo pra inglês ver

O Corinthians é o legítimo campeão mundial interclubes de 2000, assim como o São Paulo é tricampeão, o Santos é bi e por aí vai, apesar das brincadeiras dos torcedores rivais que acusam os corintianos de não terem passaporte, etc e tal. E aí começa uma discussão tola e sem fim, porque os corintianos rebatem lembrando que antes o Mundial Interclubes não tinha o carimbo da Fifa.

Mas embora tenha conquistado o mundo nove anos atrás, uma coisa é certa:  a fama mundial para o alvinegro só chegou agora com Ronaldo. Antes mesmo de o Fenômeno estrear, o Timão já era notícia em jornais da Espanha, Itália, Inglaterra e por aí vai. Eu já tinha percebido isso em Milão, quando os taxistas ao comentarem sobre futebol brasileiro, diziam conhecer o Corinthians por causa de Ronaldo, que até então ainda era uma incógnita.

Na quarta-feira passada no Pacaembu, vinte mil torcedores foram ver Corinthians e Ponte, entre eles dois ingleses, um torcedor do Tottenhan, outro do Liverpool. Eles estavam lá por causa de Ronaldo e não escondiam a surpresa com os dois gols e a atuação do atacante. Se os corintianos se irritaram com o empate no final do jogo, para a dupla a satisfação foi garantida e eles tinham boas histórias para contar na volta pra casa.

Ronaldo atrai torcida, mídia e o mais importante: ele ainda sabe fazer gols. Mas apesar da longa invencibilidade corintiana, é cedo para saber se o time vai fisgar títulos no tal ano fenomenal.

Por falar em títulos, o pedido de clubes como Palmeiras, Santos e Fluminense para contar como títulos brasileiros os torneios conquistados antes de a competição ser chamada assim, é justo. Se a CBF concordar, Verdão e Peixe ficarão com oito canecos cada um e ficarão na frente do tricolor paulista, que faturou o brasileiro seis vezes.

 

 

 



Escrito por tieppo às 01h53 PM
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   A volta dos que não foram

Eles foram dados como acabados, aposentados e chamados de ex-atletas, mas Rubens Barrichello e Ronaldo mostraram que sempre há chance para um recomeço, há sempre a possibilidade de uma segunda chance.

Ok, talvez seja cedo para prever um ano de conquistas para Rubinho e Ronaldo. No caso do piloto, por exemplo, ele estava desempregado dez dias atrás e parecia ser o único a acreditar que haveria pelo menos mais um ano de Fórmula 1. Barrichello estava certo, mas nem nos seus sonhos mais otimistas aparecia um carro tão veloz como esse da Brawn. Se vai brigar pelo título? Quem é que sabe, mas seria um prêmio para tanta perseverança e por vezes muita incompreensão.

Para Ronaldo, o fim também parecia próximo, pela séria contusão e pelo amor exagerado pelas noitadas. Mas ele voltou, fez gols e mostrou o quanto um jogador fora de série faz a diferença, mesmo com uns quilinhos a mais. Ele está muito acima da média, mesmo levando-se em conta que nosso nível técnico anda baixo.

Mas como nem tudo é perfeito, teve gente que voltou e já devia ter ido há muito, muito tempo. Collor, o presidente derrubado pela corrupção, depois de ser eleito pelo Senado, agora pegou uma das mais importantes comissões e vai fiscalizar o PAC. E por quem foi apoiado? Por Sarney, outro que já deveria ter nos dado a honra de sua ausência há algumas dezenas de anos. Para quem não tem memória, na campanha de 89, Collor chamava o governo Sarney de o mais corrupto da história.

O Brasil é mesmo o país da piada pronta.

 

 



Escrito por tieppo às 04h39 PM
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA MARIANA, Homem, de 36 a 45 anos, Jornalista

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